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De vinhos a produtos geek: o boom dos clubes de assinatura

Escrito Por: Publicado em: ROOT Data de Criação: 08/07/2019 Acessos: 151 Comentários: 0

Cliente paga mensalidade e se entrega à expectativa de ser surpreendido.

Entregar, no aconchego da casa do cliente, produtos selecionados especialmente para um grupo seleto é a missão dos clubes de assinaturas, que estão conquistando cada vez mais adeptos. Nesse modelo, o consumidor paga uma mensalidade e se entrega à expectativa de ser surpreendido. Vinhos, produtos orgânicos, artigos para bebê, livros e carnes. Não há produto que não caiba numa caixa.

 

Em busca do vinho ideal

Após três anos em desenvolvimento, o clube de assinaturas de vinhos Vinu (vinu.club) foi implantado em fevereiro. Por uma mensalidade a partir de R$ 159, o cliente escolhe quantos rótulos quer receber a cada 30 dias, de acordo com seu “vinutipo”: doce, sensível, hipersensível ou tolerante.

— Nosso conceito central é “o meu vinho preferido não é necessariamente o seu vinho preferido”. Por meio de um questionário em que o cliente responde, por exemplo, se ama creme e açúcar no café, odeia restaurantes barulhentos ou quer ser um especialista em vinhos, conseguimos ter uma ideia do paladar deles para oferecermos as melhores combinações para cada perfil. É diferente de outros clubes, que enviam a mesma caixa para todo mundo — conta o dono da empresa, Christian Kostner, afirmando que quer desmistificar o que classifica como “enochatices”. — Beber vinho tem que ser um prazer.

Após preencher o formulário do Vinu, o empresário Zeca Sá Ferreira teve o paladar classificado como hipersensível. Foi o site da empresa que o conquistou.

— Quando pesquisei sobre clubes de assinatura, não tinha referências. Entre os que vi na internet, achei que o Vinu tinha um ambiente virtual mais agradável e prático — afirma ele.

O empresário Márcio Campos optou pelo pacote com quatro garrafas. Para ele, o maior atrativo é receber um produto personalizado.

— Isso demonstra um cuidado especial com o cliente. Gosto também do suspense e da surpresa. Parece que estou ganhando um presente — conta ele, que divide seus vinhos com a mulher, Nathalie. — Ela também fez o teste e teve o paladar classificado como tolerante, enquanto o meu é sensível. Mas isso não impede que beba junto comigo até fazer uma assinatura só para ela.

 

Livros para os pequenos

Quando a filha Valentina completou 3 anos, o advogado Guilherme Faro decidiu fazer uma assinatura do clube de livros infantis Leiturinha (leiturinha.com.br). Por R$ 63,90 por bimestre, ele recebe dois livros a partir de uma seleção que leva em conta a idade da criança.

— Agora que a Valentina está com 5 anos temos recebido livros com mais texto. Antes, quando era bebê, recebíamos uns com mais imagens e designer diferente — destaca Faro.

Ao logo dos dois anos de assinatura, além de promover o interesse pela leitura da filha desde pequena, Faro colabora para que ele seja despertado em outras crianças.

— Quando a estante dela enche, doamos alguns exemplares para abrir espaço para novos. Os livros de quando ela era bebê já foram parar nas mãos de outras mães. Como advogado, que tem muito que ler, acho importante desenvolver esse gosto desde cedo — diz.

 

Alimentos das estações

No clube de assinaturas do Orgânicos da Fátima, o cliente recebe sempre novidades, que variam de acordo com as estações do ano.

— Nessa assinatura, o cliente não pode escolher o que quer. Quando fechamos o negócio, apresento todos os alimentos da estação, e ele só tem a opção de dizer o que não quer. Nossa ideia é brindar o cliente com o que a natureza tem de melhor para oferecer — explica Fátima, que atende pessoas físicas e jurídicas, como o restaurante Astor, em Ipanema.

A Orgânicos da Fátima (organicosdafatima.com.br) entrega brotos, flores comestíveis, legumes, verduras e frutas, e conta com três modelos de assinaturas: pequena (R$ 239, com cinco itens), média (R$ 255, com sete itens) e grande (R$ 298, com 15 itens).

Já o Clube Orgânico, criado em 2015,  nasceu com o propósito de conectar produtores de orgânicos diretamente aos consumidores de maneira justa e sustentável. As assinaturas custam a partir de R$ 45,85, e o cliente pode escolher receber cestas toda semana, a cada 15 dias ou uma vez por mês.

— Atualmente, temos 200 assinantes. Conseguimos criar uma comunidade e engajar as pessoas no campo e na cidade, democratizando o acesso ao produto orgânico — diz Eduardo Boorhem, fundador do Clube Orgânico ao lado de Victor Piranda e Rodrigo Medeiros.

A programadora Taís Martins, moradora da Barra, faz parte desta comunidade praticamente desde que o Clube Orgânico foi criado. Ela conta que se identificou com a proposta de contribuir para um mundo mais sustentável enquanto zela pela saúde:

— Sei que estou recebendo o que há de melhor na semana entre legumes, frutas e verduras. O fato de não saber exatamente o que vai vir na cesta só exercita a minha criatividade e a capacidade de fazer pratos diferentes usando aqueles ingredientes.

 

Carnes para todos

Da necessidade de ter mais contato com os assinantes nasceu a loja física do Beef Club (beefclub.com.br), em Botafogo, em 2016. No local, além de ver as peças vendidas, os clientes podem trocar por outras, caso não tenham gostado de algum item recebido.

— Sou assinante há três anos e confio na seleção que fazem para mim, a partir dos meus gostos. Nunca precisei trocar peças na loja — comenta o engenheiro Guilherme Caldas.

A assinatura mensal do Beef Club custa R$ 159,90; e a trimestral, R$ 169, 90. Cada caixa conta com cerca de 2,5 quilos de carne.

Em três meses, a loja física se mudará para Ipanema.

E que tal receber, todo mês, cortes nobres de frigoríficos conceituados entregues em casa, em embalagens térmicas? O Clube Grill iniciou o serviço de assinaturas em 2016, antes da inauguração de sua butique de carnes, aberta no ano seguinte na Avenida Embaixador Abelardo Bueno. E, segundo os sócios, cresceu 60% do ano passado para cá.

São três planos: no mais barato, que sai por um valor médio mensal de R$ 150, o cliente recebe dois quilos de uma seleção de cortes bovinos. Há também os planos de três (R$ 225) e quatro quilos (R$ 300). Em todos, há taxa de adesão de R$ 10.

Nos três planos, o peso real entregue é aproximado, e o valor final mensal dependerá do peso entregue e do valor por quilo da seleção, anunciado previamente. A média fica em torno de R$ 75 por quilo.

— Informamos aos associados via WhatsApp sobre a seleção que ele vai receber no mês seguinte: o preço por quilo, de qual frigorífico vem a carne, a origem e a raça do gado. Se o cliente não gostar de um determinado corte ou achar que ainda tem carne suficiente em casa, pode pular aquele mês — explica Rodrigo Feria, um dos sócios.

A ideia do Clube Grill é dar acesso a cortes diferentes, com preço mais em conta e comodidade. Feria diz que varia ao máximo as seleções ao longo do ano e procura não repetir cortes de um mesmo frigorífico:

— O público quer receber produtos que desconhece, dos quais pode gostar ou não. Quer sair da sua zona de conforto de consumo.

Assinante há pouco mais de um ano, o economista Marcio Burnier costuma preparar churrasco para família e amigos pelo menos uma vez por semana.

— Todo mês recebo um corte; então, acabo conhecendo vários. Uma vez recebi um da raça Wagyu, considerada a mais nobre do mundo — diz Burnier, que prefere buscar as carnes na loja. — Gosto de ir, tomar uma cerveja. Lá tem até espaço para você fazer seu churrasco.

 

Consultoria para mães

A gestação e os primeiros anos da criança são um período de descobertas para a mulher. O clube de assinatura Petitebox, criado há cinco anos em São Paulo, garimpa, organiza e entrega novidades para este público todo mês.

A empresa tem assinatura para gestantes ou mães com filhos até 2 anos (Petitebox) e para mães de crianças de 3 a 5 anos (Crescidinhos).

— A ideia é surpreender a cada mês, e fazer com que a mãe sinta que a caixa vale muito mais do que aquilo que ela paga— diz o CEO Felipe Wasserman. — A cliente não sabe exatamente o que vai receber. Uma mesma caixa pode ser amada e odiada por pessoas diferentes.

Cássia Monteiro é assinante do Petitebox. Entre os produtos que recebe podem estar roupinhas, brinquedos, acessórios, louça e muito mais. Wasserman diz que o serviço também pode funcionar como uma consultoria para mães de primeira viagem.

— Somos mais um clube de experiência. Não queremos passar a ideia de que o conteúdo da caixa vai garantir o enxoval, mas sim que as clientes vão descobrir coisas novas — diz.

O serviço tem hoje 2.500 clientes e cresceu 25% no último ano. A Petitebox oferece planos mensais, trimestrais, semestrais e anuais. O valor médio, sem frete, fica em R$ 70 por mês para o plano Petitebox e R$ 85 para o Crescidinhos.

 

Moído ou em grão

Há dois meses, o Café ao Leu inaugurou loja física no Leblon. A partir de então, a casa passou a oferecer assinaturas para os amantes da bebida.

O serviço (R$ 55 por mês) inclui dois pacotes de 250 gramas de duas especialidades distintas de café, selecionados pelo barista Leo Gonçalves e provenientes de pequenos produtores brasileiros. Os cafés são entregues mensalmente em toda a Zona Sul, sem custo adicional, sempre na segunda quinta-feira de cada mês.

— Trabalhamos com café 100% arábica especial. No nosso sistema de assinatura, o cliente só pode escolher se o café que vai receber é moído ou em grão — conta Leo Gonçalves, também sócio do estabelecimento.

 

Acompanhante não paga

No fim do ano passado, foi criado o Duo Gourmet, um clube de assinatura pensado para fãs de gastronomia. O modelo funcionava em Belo Horizonte desde 2013 e foi importado para o Rio.

Por meio uma mensalidade de R$ 25, o assinante pode tomar café, almoçar ou jantar em qualquer estabelecimento conveniado. O prato do acompanhante sai de graça.

— A pessoa pode ir quantas vezes quiser em todos os restaurantes do Brasil que participam, com um intervalo de quatro horas entre uma refeição e outra. E o convidado não paga por um prato de valor igual ou inferior ao que foi pedido pelo cliente do clube. Além de Belo Horizonte e Rio, temos estabelecimentos conveniados em São Paulo, Brasília, Recife, Fortaleza, Maceió e Ribeirão Preto (SP) — lista Rodrigo Vaz, sócio e diretor de operações do Duo, que cita o Bar Astor, em Ipanema, como uma das casas conveniadas na Zona Sul.

 

Do universo pop

Cinema, séries de TV, games, músicas e histórias em quadrinhos estão na mira da Omelete Company desde sua criação, em 2000. No final de 2015, a empresa decidiu que estava na hora de materializar seu conteúdo em produtos exclusivos para os fãs da cultura geek. Nascia a Omelete Box. A assinatura mensal custa R$ 119, e cada caixinha vem com cerca de sete produtos, como camisetas, pôsteres, canecas, bustos e chaveiros.

— Por meio de nossos parceiros e de contratos de licenciamento com franquias como Warner e DC Comics, reunimos produtos que só existem no box — garante Otávio Juliato, CCO da Omelete Company.

 

Fonte: Globo Rio

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